... é um longo e sofrível caminho. Quem já se embrenhou por esses caminhos sabe. Ouso dizer que, da teia superramificada de sentimentos humanos, esta é a trilha mais espinhosa. Quem se arrisca a segui-la, deve ir preparado com suas cascas mais grossas - mas sempre removíveis, porque a graça, no fim do túnel, é - figurativamente - despir-se (e por que não literal?).
Eu mesma tive um caminho tortuoso. Na adolescência, me gabava de ser apolínea ao extremo - ou seja, racional. Balela. Era o ser mais sedento por paixonites platônicas jamais visto. Tive muitas. Mas considero apenas poucas delas. Só as que me acrescentaram alguma coisa além de espinhos. Aquelas que ultrapassaram o superficial da minha casca pretensamente grossa, mas verdadeiramente derretível.
De todas elas, então, guardo duas como recordação que vale a pena. Independente de suas intensidades, jamais as confundi com amor. Sempre soube, apesar de nunca ter amado, que aquilo que eu sentia não era amor. Simplesmente porque não era uma sensação sublime, como de andar em nuvens. Talvez porque, nessas duas ocasiões, não fui de fato correspondida por um segundo sequer.
Então pergunto-me: como podem elas, então, terem me trazido algo mais que espinhos? Fácil. Prepararam terreno pro que havia de vir: o amor em sua mais pura e cristalina forma. Sempre faço essa analogia mental: minhas paixonites antigas foram pedras no caminho; as paixões verdadeiras foram ponte e o amor, esse que eu sinto hoje, é minha terra prometida. A maça no topo da copa, no galho mais alto. A inspiração, calmaria com cheiro de paz, em meio à tormenta do vazio.
A rosa tímida, porém fervorosa, escondida em meio aos espinhos cruéis.
é isso aí
Há 11 anos
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