Era seu beija-flor. Pequeno, quebrável, machucável. Eu o via pedir proteção com seus pequenos olhos, escuros como os dias que de sempre em sempre incansavelmente se punham à sua frente, tranformando felicidade em uma eterna ladainha que jamais levaria ao intermitente. Felicidade assim seria apenas, e pra sempre, uma porção de picos no topo de vales acidentados com negros abismos entre si. Nunca seria uma planície.
E era seu beija-flor, pequeno, frágil, que de repente ganhava força de águia para suportar com suas asinhas as interpéries que separava um cume do outro. Chegar ao próximo topo, verdejante, cheio de vida, era o lhe que botava força. Mas, de volta aos abismos, o pequeno beija-flor despencava. Para dentro do escuro, do vazio, do intocável. Lá embaixo, falta de chão. Mas a força ressurgia, das cinzas feito fênix, a colocar o pequeno beija-flor de volta ao voo. Nunca chegava ao fim do abismo, embora tantas vezes tenha sentido o frio de penetrar ossos, pele e penas.
Na minha cabeça, a imagem do pequeno beija-flor até hoje muitas vezes perde o foco e, pouco a pouco, lembra a imagem da própria fênix, tamanha sua determinação em persistir. Mas, no fim do dia, é apenas um pequeno beija-flor, com toda a sua beleza a ofuscar sua fragilidade - ou seria vice-versa?
De mim sobre ele
Era o seu beija-flor acordando ali ao seu lado, em meio à sua proteção de uma noite. E se pudesse não o deixaria voar. Deitaria sobre o verde dos topos, faria do seu próprio peito um belo ninho. Mas se não podia ou se não queria, para mim nunca ficou muito claro e também nunca fez muita diferença. Pra mim só havia a dor do voo conturbado, interrompido, tempestuoso.
O fato é que ele, em sã consciência, jamais se permitiria chamar o pequeno beija-flor de seu. No entanto, em são sentimento, ele sempre soube que era mesmo seu e que o ser-para-sempre estava nas suas mãos. Apenas. Porque, em que dependesse do pequeno beija-flor, as mãos dele seriam eternamente ninho - eram ali que repousavam suas asinhas depois do voo entre os picos, tão cansadas que às vezes lembravam as das borboletas recém-desencasuladas.
Mas eram as mesmas mãos que o botavam a voar outra vez, que o soltavam na correnteza, contra a vontade de qualquer um. Como pode, então, ser ninho a mão que abandona e desampara? Seria responsabilidade demais tornar-se porto seguro da frágil ave?
De mim para o beija-flor
Pra onde você queria ir, beija-flor? Se pudesse, voaria longe? Buscaria seu ninho em outra direção, em outro coração? Ou escolheria o mesmo voo tempestuoso de sempre, na esperança de um dia encontrar os campos planos, plenos, verdes, vastos? Te assisto voar, beija-flor, mas não sou gaiola. Seu voo é livre e na sua busca você vai aonde quer. Eu apenas te assisto e te protejo em pensamento.
Linda musica... diz bem algo sobre alguem de minha vida..
ResponderExcluirplagiei parte do seu texto pro meu orkut tah?! =p
beijoooo