quinta-feira, 20 de agosto de 2009

...e se...?

Vez ou outra, me vejo às voltas com as possibilidades não-acontecidas do "e se?" - aquele tipo de coisa que poderia ter sido, não foi e hoje não tem mais a mínima chance de ser. Se você nunca se perguntou um "e se", com certeza um dia o seu subconsciente, durante o seu sono, vai tratar de arranjar o magnífico confronto "você vs. a dúvida".

E nenhum "e se" incomoda mais que este que te sorri sarcástico durante a noite. Aquele que você mesmo, assumido pelo seu subconsciente, desenterra em sonho. É totalmente diferente de um "e se" constantemente lançado a você por terceiros, que só se faz tortura pelo simples fato de que, na verdade, você não se importa nem um pouco com o que poderia ter sido.

O "e se" do subconsciente agitado e polvoroso enquanto você, teoricamente, descansa em berço esplêndido, é a dúvida que você nem imaginava ter, arrancada do seu âmago e atirada na sua cara. E se tivesse sido diferente? Como seria sua vida hoje?

Eu, particularmente, gosto da minha exatamente como está. Sem tirar nem por (mas, francamente, eu não reclamaria de uns zeros a mais no saldo bancário). Você pode gostar da sua também. Mas deixe seu subconsciente lançar o confronto da dúvida durante uma única noite e você, provavelmente, vai passar outros tantos dias a pensar... e se?

"E ses" são consequências de escolhas. Arbitrárias ou impostas. Impensadas ou miraboladas. Um extremo ou outro, inconsequentes, no sentido de isentar-se de consequências, é que não são. Taí o "e se...?" a título de prova.

"E ses" gritam na sua cara você não pode abraçar o mundo! Porque se você se pergunta "e se...?", é mais ou menos isso: você quer saber como teria sido, mas também não quer abrir mão do que sua vida agora é - e que não seria se o "e se...?" tivesse sido.

Mas não foi, então pra que remoer? Remoer "e ses" explicita ou inventa "poréns" pra vida que se leva - e que sem o confronto da dúvida parece tão plena e confortável quanto se merece, depois de superar os trancos e barrancos que um dia impediram o "e se" de fato ser.

E que bom assim.


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