segunda-feira, 24 de agosto de 2009

No Brasil, política e reality show têm tudo a ver

O cara enterra um machado na mesa do entrevistador, bate em mulher, joga velhinha no chão, lança um disco tosco, tem uma carreira medíocre, arranja briga com Deus e o mundo. O cara só sabe se descontrolar, mas tem aquele estilo bad boy e, dá pra negar?, é bonito. "Boa pinta", como dizem os homens quando não querem assumir que um cara é gato - mesmo que tenham plena ciência disso!

Enfim, de bom o cara só tem o físico. E - voilà! - agora tem um milhão no bolso, numa "vitória" esmagadora sobre uma cantora simpática, que pelo menos tem voz e, no ano passado, estava no topo das paradas com uma música que o Brasil inteiro postou no perfil do Orkut.

Então, é isso: o Dado Dolabella levou seu milhão pra casa e agora quer transformar a grana em música. Isso é o que eu chamo de caridade. Desde quando o cara que já ganhou cachê a nível Globo e nasceu em berço de família de ator precisa dessa grana?

Bom, convenhamos que nenhuma celebridade, ou subcelebridade, precisa mesmo de grana - querer todo mundo quer, óbvio, mas precisar de verdade é outra história. Acho que nem mesmo o Carlinhos, ex-criança de rua e interno da Febem, precisaria tanto de um milhão, depois de ter feito fama na pele do Mendigo. Mas, pelo menos, de todo aquele povo, era quem deveria ganhar, já que alguém tinha que ganhar mesmo.

Mas claro que não! Votaram no bad boy boa pinta.

Será que quem votou no Dado Dolabella são os mesmos que botaram o Sarney no Senado? Que reavivaram um Collor morto-vivo, há vinte anos deposto da Presidência por não ser nada mais que um corrupto? Que ainda dão voto de confiança pro Maluf, que tem podridão até na voz e na cara? Provavelmente sim. São os mesmos.

Eu não tenho quase nada de engajamento político e vai ver sou errada em não ter pretensões de mudar o mundo com algo a mais que meu voto. Mas, mesmo da minha posição alienada, tenho certeza de que o resultado de um reality show, que torna milionário um cara já rico, mas pobre de espírito e de conduta, só pode ser uma analogia fiel à política que se vota e que se faz no Brasil.

Agora, um adendo: por que raios muitas das mesmas pessoas que em janeiro não desgrudam do Big Brother debocham de quem estacionou o controle na Record durante A fazenda? - como eu mesma fiz algumas vezes durante essas longas férias suínas. No fim, não é tudo a mesma coisa? A mesma putaria, palhaçada, lavagem cerebral, inutilidade, emburrecimento, perda de tempo, tudo isso tão típico de reality shows?

Aah, já entendi a grande diferença: A Fazenda não é da Globo e o Britto Júnior não é o Bial. Ah, tá. Agora, sim. Faz sentido.

Brasileiros...

Um comentário:

  1. Quem é dado ? o que é fazenda?
    o problema é que o povo fica assistindo a coisas inúteis na tv, enquanto os caras metem a mão no nosso. E você tem toda razão. Nós botamos o Sarney lá no senado. Nós(eu não)também votamos no tal de dado. o povo merece o que tem.

    ResponderExcluir